Quando coloquei o ponto final na primeira versão do meu romance Herdeiros da Cinza, vivi aquele misto clássico de euforia e vertigem. A sensação de vencer a página em branco e concluir um livro inteiro é indescritível. Mas, logo após a comemoração, veio o choque de realidade que quase todo autor independente enfrenta: e agora?
Como desenvolvedor de software e escritor, eu sabia que um livro não é apenas fruto de inspiração — ele envolve método, técnica e, acima de tudo, posicionamento. O mercado editorial brasileiro pode ser implacável com quem navega às cegas. Você pode ter em mãos uma narrativa emocionante e potente, mas se ela for parar na prateleira errada da livraria ou do algoritmo da Amazon, o resultado será frustração e avaliações negativas de leitores que simplesmente estavam procurando outra coisa.
Foi dessa inquietação pessoal que nasceu o Scribere: uma plataforma de inteligência editorial desenhada para ser o copiloto do escritor, unindo a sensibilidade humana à agilidade tecnológica. Ele me ajudou a responder as seguintes perguntas:
Em qual prateleira, eu deveria colocar o meu livro?
Imagine o seguinte cenário: um leitor entra na livraria procurando uma ficção científica espacial densa (hard sci-fi). Por um erro de classificação, alguém colocou Game of Thrones na seção de ficção científica com uma capa enganosa.
O que vai acontecer quando esse leitor abrir o livro? Ele vai encontrar castelos medievais, espadas, intrigas políticas e dragões. Mesmo que a obra de George R. R. Martin seja uma obra-prima da fantasia, aquele leitor específico vai fechar o livro decepcionado, abandonar a leitura e deixar uma resenha de uma estrela dizendo que a história é péssima. O problema não era o livro; era a prateleira.
Entender qual prateleira eu colocaria o meu livro é uma dificuldade que tive. Ele tem diversas tropes literárias, com diversos elementos. Por ser uma fantasia e ter elfos e humanos poderia associar e comparar com O Senhor dos Anéis. No entanto, quem busca a alta fantasia heroica de Tolkien se decepcionaria com a minha história: Herdeiros da Cinza é um drama intimista, focado nas cicatrizes da guerra, no ódio geracional e na reconstrução emocional após perdas brutais.
O diagnóstico editorial, mostrou que ele estava mais próximo de Game of Thrones e Guerra da Papoula* (R.F. Kuang) , que O Senhor dos Anéis. Ele ajudou a entender e ver as distinções sutis do meu livro. Isso é super importante na hora que você vai cadastrar o seu livro na Amazon, ou quando vai definir uma capa. Sim uma capa tem comunicar claramente o gênero. Aqui entra o trabalho de comparar com livros onde o nosso livro dividiria a prateleira em uma livraria. Temos que colocar nessa hora o chapéu do leitor. De alguém que não conhece o livro. Não é uma questão de ser uma capa bonita. Ela precisar ter uma identidade clara.
Estou conseguindo colocar no papel aquilo que imaginei?
Todo escritor passa por isso: na nossa imaginação, a cena está cinematográfica, vívida e emocionante. Sabemos exatamente onde cada personagem está posicionado, a intensidade da luz e a carga emocional de cada silêncio.
Porém, quando passamos a cena para o papel, pequenos desvios acontecem:
- Saltos temporais abruptos: Mudamos de ambiente ou de dia sem uma frase de transição, deixando o leitor desorientado.
- Quebras de fluidez e ritmo: O ritmo corre rápido demais quando deveria desacelerar em momentos de tensão, ou arrasta-se em descrições secundárias.
- Incoerências de continuidade: Detalhes de caracterização ou reações emocionais que contrastam com o que foi construído nos capítulos anteriores.
Como estamos muito próximos da própria história, pode ser difícil perceber certos problemas de continuidade, ritmo ou transição. Por isso, considero os leitores beta importantes. O parecer editorial pode oferecer uma perspectiva complementar durante a revisão, enquanto os leitores beta contribuem com suas experiências, interpretações e reações à leitura.
Será que posso enxugar algo na história ou ela esta corrida demais?
Além de um relatório estático com diversos apontamentos, você pode interagir e perguntar por exemplo:
"Você apontou que a fluidez do capítulo 4 ficou truncada na transição do palácio para a floresta. Que tipo de elemento descritivo você sugere para suavizar essa passagem?"
"Como posso fortalecer a sensação de urgência sem estragar o mistério do vilão?"
Você vai conseguir conversar sobre ela, vai ter dicas. Também vai ser importante quando receber feedback de leitores beta, que podem dar sugestões e criticas que divergem. Muitas vezes amigos e familiares leem para nós e por não querer ferir, diz que amaram, que gostaram da história.
A inteligência artificial não lê como um leitor humano: não tem experiências pessoais, gostos próprios ou expectativas emocionais. Isso não é necessariamente bom ou ruim, mas é complementar a visão humana. Suas análises se baseiam em padrões e critérios que podem ser úteis, mas também podem falhar ou deixar aspectos importantes de fora. Por isso não pode ser visto como uma sentença sobre a qualidade do livro.”
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Sua história continua sendo sua. O objetivo é ajudar você a enxergá-la com mais distanciamento técnico.
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